quarta-feira, 29 de junho de 2016

Há uma música deste tempo que não sinto como se fora música. Ruídos de eletrônica, harmonias precárias, melodias insípidas, o ritmo forte, marcado. Se toda música existe para exprimir estados de espírito, a reunião desses elementos com nome de música só pode traduzir estados de distúrbios da mente, de pensamentos ralos e sem elaboração, de colapso, quando não de alguma mania psicótica qualquer. E são a música deste tempo, à qual os jovens se entregam, por talvez ignorar o que é música de fato. A música verdadeira é a que envolve, balança, aquece o espírito, tomando-o pela mão para levá-lo a paragens longínquas, das quais retornará sempre um pouco mais rico, ou mais calmo, ou com a disposição renovada para a batalha cotidiana no plano físico.
A música deste tempo, de que falei mais acima, não inspira nem renova nada, apenas cansa, cansa, cansa.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Tenho sonhos marinheiros sem jamais ter vivido no mar
Sem nunca ter sequer morado perto de mar algum
Apenas esses sonhos marinheiros — vastos, azuis e luminosos
A casa à beira de um mar de cores que vão mudando à luz do sol, às nuvens do dia, ao entardecer e ao escurecer
Matizes de azuis perolados, de verdes transparentes a lilases e espumas
Ventos e brisas e mormaços, tudo quieto e marítimo, de uma forma que provavelmente nunca existiu,
senão no meu desejo de viver esse lugar de sonhos marinheiros, tudo longínquo e infinito




quinta-feira, 23 de junho de 2016

No sábado, 18, fui à sessão no Estrela Matutina. Lá, percebi que vir para cá não foi mesmo a melhor das atitudes que deveria ter tomado, e então reconsiderei que devo conversar com Mara, tentar resolver o assunto do Tiago, que tanto me incomoda. A formação dele, seu desenvolvimento saudável em termos psicológicos.
Mas no Estrela apenas uma funda decepção. Que núcleo triste! Fiquei impressionado com a sem graceza daquilo ali. Tudo soturno, sorumbático, a sessão chata, sem graça. As intervenções à altura da chatice do núcleo. É com certeza um dos núcleos mais fracos de toda a União.
Depois da sessão, violão com Lílson. É um compositor de mão cheia, mostrou uma música nova dele, excelente. Admiro muito o talento do Lílson, é um compositor bem melhor que eu, sem dúvida. Talvez eu seja mais inventivo, mais original harmonicamente, mas ele é mais inspirado, e faz músicas estruturalmente perfeitas, não consigo acrescentar nem tirar nada ali. Às vezes, dou alguma sugestão em termos harmônicos, aspecto em que ele é meio limitado, mas não passa disso. O cara é muito bom. Cheguei mesmo a pensar em retomar algum trabalho com ele. Acho que poderíamos fazer um trabalho interessante, juntando o material dele, que tem forte vocação popular, ao meu, que tem certa condição de angariar algum prestígio entre músicos, por causa da maior elaboração harmônica e melódica. Enfim, acho que daria uma banda excelente, com as duas dimensões em que se sustenta a música popular de qualidade — a riqueza inventiva e a inspiração melódica. Mas depois pensei que Lílson não tem a menor vontade de voltar a fazer algum trabalho comigo, deixa pra lá...
Pensando também em falar com Petrônio, ver se ele topa vir ensaiar aqui. É meio longe. E não sei como é a rotina dele com o filho. Já pensou? Uma banda comigo, Petrônio, Lílson? Eu na guitarra/violão base, Petrônio na guitarra solo, Lílson no baixo. Ele não iria querer, só se vê na guitarra, mas acho que seria fácil convencê-lo, estou tocando muito melhor que ele, tenho bem mais condições de assumir a guitarra base. Sem falar que, estive pensando, grandes bandas de rock que conheço costumam ter um grande compositor no contrabaixo. Beatles, Pink Floyd... Pensando bem, só estou lembrando essas duas mesmo.
Saudade dos meus filhos... muita! Michael, Rafael, Tiago. Escrevendo o nome deles pra ver se alivia um pouco a saudade...

Estou morando na chácara. Vim para cá após uma situação em casa, familiar, envolvendo meu amado filho Tiago. Sensação de estar assistindo a um enorme equívoco em sua formação, causado inteiramente pela mãe dele.
Mas agora estou considerando que sair de lá, abandonar minha família, não foi a melhor das atitudes. Não posso deixar o barco correr solto, Mara levando-o ao sabor de sua insensatez. Preciso reagir, e estou apenas aguardando o momento oportuno para fazê-lo de forma a dar a ela a oportunidade de reconhecer seu erro e corrigir seu rumo. Vamos ver...
Por aqui, muita solidão. Pensamento de iniciar uma criação de galinha caipira e uma horta orgânica. Hoje pesquisei bastante o assunto da galinha, que parece ser bem mais complexo e trabalhoso do que eu imaginava. E de custo relativamente expressivo, embora com possibilidade de retorno real e até rápido.
Por sob o manto dessa decisão, a vinda para cá, abriga-se, é forçoso reconhecer, os velhos sonhos de dedicação à música, à técnica, à composição. Que, aqui, estão relegados à mesma condição de sempre, ou seja, adiamentos, indecisões, desesperanças e abandonos finalmente.
Estou em um estado de sensibilidade bastante incomum, não sei se positivo ou não, mas extremo, em todo caso. Só querendo ficar mesmo só. Sem conseguir engatar conversa com ninguém, sem vontade de nada, sem plano nenhum na verdade. Galinha caipira, horta orgânica... Vamos ver.